Pela primeira vez em seus quatro anos de história, a Temporada Blumenauense de Teatro teve uma peça com lotação máxima em todas as noites. O Auditório Carlos Jardim, localizado na Fundação Cultural de Blumenau foi transformado numa semi-arena que recebeu aproximadamente 600 pessoas, entre os dias 20 e 24 de maio, em seis sessões, uma delas extra devido a grande procura por ingressos.
A bilheteria aberta sempre às 19h tinha todos os ingressos vendidos antes das 19h30. Em todas as ocasiões foram necessárias as listas de espera e muita calma. Numa pré-avaliação feita pelo grupo, foi central para essa procura a divulgação “boca-a-boca”: quem assistia acabava recomendando o espetáculo e um círculo virtuoso foi acionado.
O público prestigiou a Cia Carona e saiu com uma boa impressão. “Volúpia” é um espetáculo cujo tema é complexo, quase tabu. Segundo ouviu-se de um moço durante o debate, o que se vê não é entretenimento ou um “espetáculo” fácil, pois na maioria das vezes o espectador sai impactado. Mesmo assim, ao final de cada apresentação, muitos depoimentos emocionados chegavam aos atores e ao diretor. Eram pessoas que queriam partilhar sua experiência por ter vivido aqueles 70 minutos.
“Volúpia” encerra a Temporada totalizando 30 apresentações. “Os Camaradas”, trabalho importante dentro da história da Cia Carona, teve mais de 100 sessões em diversos lugares do Brasil. A intenção, segundo Pépe Sedrez, diretor do grupo, é que “Volúpia” tenha o mesmo destino: vida longa, com vigor e qualidade.
Segundo ainda Pepe Sedrez, a experiência que o grupo teve com a Temporada Blumenauense mostra que é possível ter um espetáculo em cartaz durante períodos mais longos. “Quando se chega ao público, é muito provável que este atenda nosso chamado”. A intenção do grupo é organizar mais uma temporada de "Volúpia" no segundo semestre do ano.
O diretor enfatiza as problemáticas enfrentadas pelos grupos de teatro da cidade de Blumenau para a manutenção dos trabalhos, como a falta de apoio dos órgãos públicos, que ainda não se atentaram para a importância social e econômica do Teatro no município, e dos empresários locais que preferem investir em projetos do Eixo Rio - São Paulo.
As apresentações terminaram no domingo (24/05), com a realização de um “bate-papo” entre diretor, dramaturgo, atores e o público sobre o espetáculo.
"Estar ali é transformar o interesse numa curiosidade muito além da apresentação física: é desafiar-se naquilo que se provoca e então, descobre. E abrir os estandartes de si mesmo é transfigurar o sublime para a realidade, lidando com um limiar extremo do prazer, do sofrimento. E nas situações cotidianas, tão sobrepostas ao tempo e a pluralidade das capacidades de sentir, trazem-nos a prova de não em exato momento concluir o que acontece, mas deixar aquilo que ressoa dentro de si como estímulo e mistério para prosseguir.
É compreender com a inexatidão da intensidade que o que temos de mais puro e inato – que prove ao sentir, é a nossa força mais perspicaz. O prazer mais sôfrego, por tão denso,entregue" (Depoimento de Cláudia Iara Vetter, durante o bate-papo).
A Cia Carona agradece a todos pelo êxito dessa temporada.






